Luís da Silva Rendilheiro



Impressionante!
É a palavra que melhor define o jantar de angariação de fundos para o nosso conterrâneo Luís Rendilheiro, realizado ontem, no Restaurante "o Bolachinha", em Eixo, Aveiro.
Eu chamar-lhe-ia até Convívio, porque no fundo foi isso mesmo que aconteceu. A internet tem destas coisas. A capacidade de juntar desconhecidos. E o sentido de solidariedade que ainda existe em alguns, consegue mover montanhas e ultrapassar o que por vezes se adivinhava impossível.
Não éramos muitos. E murtoseiros éramos ainda menos. Tirando a família do Luís, contei cinco pessoas da Murtosa, comigo incluído. Por isso, não se pode deduzir que qualquer dos presentes lá estivesse por obrigação. Quem foi, fê-lo por vontade de ajudar.
E ajudaram. Para além do dinheiro que se conseguiu juntar, colocou-se um sorriso no rosto do Luís, da esposa e do filho, coisa que eu ainda não tinha visto, desde que me envolvi neste processo.
- O dinheiro faz falta, mas a amizade destas pessoas e o facto de estar aqui, para quem nos últimos cinco anos praticamente só saiu de casa para ir ao hospital, tem muito valor - foram as palavras do paraplégico, a certa altura. Palavras que me emocionaram, a mim e a quem as ouviu. Chegou a ter uma motorizada de três rodas, mas há cinco anos foi proibido de circular na via pública, por não possuir a carta de condução exigida por lei, facto que veio contribuir para uma maior dependência e isolamento (palavras suas). A cadeira de rodas que utilizava até há uma semana foi a primeira que lhe deram, há quinze anos e há muito que perdeu as mínimas condições de conforto e mobilidade. Recebeu agora uma cadeira elétrica, fruto da boa vontade de alguém.
O que posso dizer sobre o Luís? Não o conhecia pessoalmente, mas ontem tive a oportunidade de comprovar o que achava dele. Uma pessoa simples, humilde até, mas desenrascada, dentro das suas limitações. Não duvido que antes do infortúnio lhe bater à porta, tivesse uma personalidade vincada por virtudes e defeitos, como qualquer outro. Ele próprio não esconde o que motivou a situação em que se encontra (uma facada). Mas quem sou eu para o julgar, se (tal como ele) sou apenas humano? Por mais irreverente que tenha sido noutros tempos, aos vinte anos a vida se encarregou de o punir. Hoje olha-se para ele e vê-se apenas um rosto marcado pela sorte e pela dor. O rosto de um homem que se vê incapacitado, não só de caminhar e de efetuar as mais básicas tarefas, mas também de sustentar a sua família. Família essa que, apesar das dificuldades, o ama, o quer e o estima. Afirmo-o sem a menor duvida. Só por amor se consegue suportar uma vida assim. Lembro que recentemente a Segurança Social lhe cortou o mísero subsídio que recebia...
De realçar a dedicação da esposa. Uma mulher jovem, a quem seria seguramente mais fácil virar as costas e começar de novo, mas que, em vez disso, lhe dedica todos os dias da sua vida. Escrevo estas palavras e recordo um fado cantado por António Severino, que diz: "a mulher que o preso trai, fica presa à consciência"... e que mais é o Luís, senão um prisioneiro do seu próprio destino? As grades que o encarceram não são visíveis, mas existem e têm nome. Chamam-se indiferença; de uma sociedade em que, desde os governantes ao comum cidadão, ninguém quer ver para lá do seu umbigo.

Francisco Vieira

7 Comentários:

  1. Anónimo5/2/12

    bonito de se ver de se fazer ha ke dar valor aos homens do povo os ke marcam na terra o seu suor e deixam marcas

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  2. Ter uma pessoa ao lado para dedicar-nos amor e vida em uma situação como esta é muito difícil hoje em dia... a maioria prefere o que tu mesmo citou: virar as costas e começar de novo!
    Uma lição sem dúvida a história desse moço. Ainda bem que existem pessoas especiais que olham para o lado...
    Um grande abraço

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  3. A solidariedade e amor ao próximo é das coisas mais bonitas que existem. Bem haja a todos que não abandonam o seu semelhante e dizem "presente" nas horas dificies.
    Assim o Luis terá mais força para continuar a luta.

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  4. Sem mais amigo, só o ver alguém a lutar a seu lado, fará que a Esperança não morra...

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  5. Acções destas, são cada vez mais raras...

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  6. Uma história que, apesar do infortúnio do Luis, ainda me dá esperança...pela solidariedade que ainda não se esqueceu.
    Beijocas.
    Graça

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  7. Olá Francisco
    acabo de ler uma história igual a muitas outras que acontecem um pouco por todo o mundo
    Mas são histórias de vida impressionantes que tocam fundo nos nossos corações
    Que o Luis tenha para sempre uma vida melhor e parabéns á esposa dedicada e a ti também por nos dares a conhecer este caso
    Abraço

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Obrigado pela visita. Este espaço é seu. Use e abuse, mas com respeito, principalmente por quem nos lê. Francisco