Dois pesos e duas medidas...

Quem me conhece, sabe que não sou de andar a pedir nada a ninguém. Uma pontinha de orgulho, confesso. Eu fico prejudicado, mas não mendigo favores...
Mas por outro lado, não gosto de injustiças. E quando vejo diferenças nos tratamentos, revolto-me, tanto faz que a situação seja comigo, como com outra pessoa qualquer (e neste caso, por acaso, é comigo).
Sou apologista de que o sol deve nascer e raiar para todos por igual e se há situações na vida em que não existe controle possível nesse aspeto, outras há em que pode e deve haver igualdade.
Exemplo: a postura e o tratamento de um órgão autárquico, ou de qualquer ferramenta da autarquia, para com os munícipes, é uma delas. Se uns são filhos da terra, os outros não podem ser filhos de outra coisa qualquer (isto, para não me por para aqui a adjetivar como realmente me apetece, neste momento)...
Como foi aqui divulgado, na semana passada deu-se o lançamento do livro "Um mar de sentidos", da minha autoria, que fiz questão de apresentar na Murtosa, minha Terra Natal. Poderia ter levado o evento para outro lugar qualquer. Se olha-se para isto do ponto de vista comercial, fazendo-o na cidade onde vivo há dois anos, talvez conseguisse juntar uma maior audiência, de entre os que atualmente convivem comigo. Reconheço que a maioria do pessoal do meu tempo na terra, estão hoje dispersos pelos quatro cantos do mundo, o que acabou por me limitar, no que tocou a convites.
Mas quis fazê-lo aqui! Por consideração a uma mão cheia de pessoas que queria ter ao meu lado, que teriam alguma dificuldade em se deslocar e também pela vontade e o prazer de mostrar a terra ao grupo que consegui arrastar para a Murtosa nesse dia, alguns que não a conheciam, que ficaram maravilhados com o que viram e que provavelmente, a não ser assim, talvez nunca chegassem a passar por aqui.
Certo é que o livro foi apresentado e correu tudo muito bem. Não éramos muitos, mas notou-se a satisfação dos presentes. Era esse o objetivo.
Não investi muito na divulgação, confesso. Pelos motivos que já expliquei. Mas houve alguém que achou por bem colocar a notícia no site do Município da Murtosa. Pediu-me a informação necessária e entregou-a a quem de direito, que fez alusão ao evento, na agenda de atividades das Associações e Coletividades da terra. Não percebi muito bem o contexto, mas tudo bem. Foi o critério da pessoa responsável pela manutenção do site, supus; e não pensei mais no assunto...
A notícia esteve visível durante três ou quatro dias e desapareceu. Acontece que, no mesmo site, mas na página principal, junto com a divulgação das várias atividades camarárias e outras, se encontra amplamente divulgado um outro evento cultural, mais propriamente, uma exposição de pintura, de um outro filho da terra, mas desta feita a ter lugar numa cidade vizinha.
Um gesto nobre da autarquia, que mais não faz do que a sua obrigação. As pessoas querem-se acarinhadas e as obras também. Já nos bastam as décadas em que não se fez nada em prol da cultura, na Murtosa. Em que praticamente se deixou ruir salas de espetáculo e extinguir grupos, enquanto que noutras terras se patrocinavam e promoviam obras e eventos que hoje as dignificam e projetam a nível nacional e até internacional, nalguns casos.
Por isso, tudo o que a câmara faça pelos criadores e pela cultura, será sempre por mim aplaudido de pé, mas que se trate a todos por igual. Nem mais, nem menos!
Esta situação fez-me recordar uma época em que inaugurei um espaço comercial numa cidade vizinha, onde o então Presidente da Câmara da Murtosa recusou estar presente, com o pretexto de que poderia ser mal interpretado por alguns munícipes, por "apadrinhar" um investimento de um murtoseiro, fora da terra.
Uma vez mais, prova-me a vida, que os pesos e as medidas não são iguais para todos...

Francisco Vieira

4 Comentários:

  1. Penso que isso é difícil mudar... os pesos e medidas nunca serão iguais para todos...
    Abraços

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  2. Bom dia amigo.
    Parabéns. A tua obra falará de ti, dos teus e da tua terra.
    Como te disse gostaria de te dar pessoalmente um abraço, mas por muitos motivos não o pude fazer. Espero que me desculpes.

    As nossas autarquias ou o pessoal que por lá anda e desanda nem sempre correspondem àquilo que esperamos deles. Deviam promover e fazer equidade de tratamento em iguais situações.

    O tempo cura essa ferida. Eles passam...
    O pior, quanto a mim, é a burrice como tentam resolver algumas situações complicando-as para favorecimentos e compadrios...adiante !

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  3. A mim admirar-me-ia que houvesse sempre o mesmo peso e a mesma medida.
    Mas o que mais me desagrada é a falta de coerência das pessoas...

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  4. Francisco
    Reconheço e concordo com a tua revolta mas, meu querido Amigo, a sociedade não mudou tem sempre dois pesos e duas medidas conforme as suas conveniências. É triste mas é verdade! Lembro-me de uma história muito antiga de um grande poeta mas pobre ,que quis editar um livro e quem de direito lhe disse: vá ,ganhe notoriedade que, depois nós publicamos-lhe a obra!!
    Estou um pouco melhor e aguardo o momento certo para te fazer a tal surpresa.
    Beijocas.
    Graça

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Obrigado pela visita. Este espaço é seu. Use e abuse, mas com respeito, principalmente por quem nos lê. Francisco