Desejo de Natal



Lá fora
o mundo dorme,
envolto na penumbra.
E tu, sem sono,
contemplas as luzes de Natal.

Piscam por todo o lado.
Nos telhados,
nas janelas,
nas varandas,
nos jardins...

É o Natal moderno,
à moda da América,
em que tudo brilha
menos os sorrisos.

São mesas fartas.
São presentes caros.
São festas e copos com os amigos.

Ainda assim,
na calada da noite,
olhas pela janela
e desejas apenas
que o menino,
esse que te diziam ter nascido,
nascesse de novo,
como nos tempos
em que eras criança e
passavas a noite
inquieto, ansioso,
a espreitar
por cima dos lençóis,
à espera
que ele chegasse
a trazer-te as prendas.

Mesmo que
pela manhã,
debaixo da chaminé
as prendas fossem sempre iguais
às que já conhecias:
uma mão cheia de rebuçados
no sapatinho,
um Pai Natal, ou
um coelhinho de chocolate
(se os havia) e pouco mais.

Talvez uma samarra nova!
Para levares para a escola
nas manhãs de inverno,
mas só se a do ano passado
já não servisse!

Ah!...mas quem te dera
que o menino ainda nascesse
como nascia na tua meninice.

Se por mais não fosse,
porque havia sempre um beijo
e o sorriso terno de tua Mãe;
prendas que já te faltaram
em tantas noites de Natal...

Francisco José Rito

4 Comentários:

  1. "Ah!...mas quem te dera
    que o menino ainda nascesse
    como nascia na tua meninice."
    Este era o meu Natal...

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  2. Francisco
    Tambem eu queria voltar a ser criança e esperar pela janela aberta que o Menino chegasse...Os olhos pesados de tanto sono, esbugalhavam-se para não perder nada mas...no dia seguinte havia apenas umas pequenas pegadas (feitas pelos meus pais)de uns pezinhos de criança e no coração, o remorso de ter adormecido!!
    Lindo o teu poema!
    Um beijo por ele!
    Graça

    (Estou à espera que o Nuno me diga a sua disponibilidade para me levar no dia 14/1. Depois digo-te)

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  3. Belo, Francisco!
    Tem momentos de nossas vidas que nunca deveriam acabar...
    Abraços Querido.

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