Alguém disse um dia que o que não faz sentido, normalmente "traz água no bico". E traz! Não poderia estar mais de acordo! Não sei quantos de vós se terão já debruçado sobre o tema deste artigo, mas o certo é que a "coisa" não faz sentido...
Falo-vos do recente aparecimento de tantas agências de compra de ouro usado. Esse fenómeno que se multiplica a cada dia que passa e que ameaça transformar-se no negócio do século. Vi hoje, à porta da estação do Metro, um individuo que passeava um enorme cartaz onde se lia COMPRO OURO USADO, seguido de vários contactos telefónicos. Aqui no bairro, num raio de quinhentos metros, abriram duas agências, nos últimos dezoito meses.
Seria tudo normal, afinal de contas, espaços para alugar nesta área é coisa que não falta e a um preço cada vez mais acessível. Para além disso, os tempos de crise sempre foram propícios a novas oportunidades e a altura que agora atravessamos não é excepção.
Normal, não fosse pela seguinte duvida: É certo que os tempos são de aflição para muita gente, de desespero para alguns e acredito que a maioria, se confrontada com a escolha entre guardar objectos de valor, ou colocar pão na mesa aos filhos, não hesite em se desfazer do fio de ouro, da aliança de casamento ou do anel de noivado.
Compreende-se. Como diz o velho ditado, " vão-se os anéis, mas fiquem os dedos". O que não consigo perceber é como o ouro destas famílias desesperadas, consegue manter tantas lojas abertas e incentivar à abertura de mais .
Sejamos sinceros, nos tempos que correm, a maioria das pessoas não colecciona peças de ouro. Mesmo a tradicional cerimónia de casamento, como a conhecíamos, há anos que vem caindo em desuso e por isso, os anéis e alianças são cada vez menos procurados. Claro que existem as famílias mais abastadas, que ainda hoje guardarão pequenos tesouros, mas por norma esse pessoal não sente a crise e só por grande partida do destino, sentirão necessidade de se desfazerem dos seus valores. Não creio, por isso, que seja com essas famílias que estas agências negoceiam...
Visto isto, que mercado é este, que atrai cada vez mais investidores? De onde lhes vem a matéria prima?
Confesso-me curioso, ao ponto de andar há dias a prestar atenção nas entradas e saídas de uma destas lojas, para estudar o perfil de quem procura os seus serviços. A porta fica sempre aberta no horário de expediente, por isso não é difícil analisar o movimento. Sabem quantas pessoas vi a entrar ou sair do espaço em questão? Nenhuma! Para além dos três funcionários que ali trabalham, não vi mais ninguém passar por aquela porta.
De onde virá então tal volume de negócio, que justifique pagar três ordenados, a renda e o resto das contas? Se entra ouro naquele espaço, a que horas entra, quem o vem vender e em que condições?
A este rol de perguntas sem resposta, e uma vez que o assunto são agências de compra de ouro usado, acrescento mais algumas:
Quem fiscaliza o ouro que se vende nestes locais? Quem atesta a sua origem? Como se faz prova de propriedade das peças que são ali vendidas?
E já agora, uma vez que falamos em peças de ouro usado, qual será o destino das peças de ouro que há anos vêm sendo roubadas nas ourivesarias de todo o país, nas nossas igrejas e em casas particulares? Onde é que os "amigos do alheio" se desfazem do material roubado?
Francisco Vieira
Falo-vos do recente aparecimento de tantas agências de compra de ouro usado. Esse fenómeno que se multiplica a cada dia que passa e que ameaça transformar-se no negócio do século. Vi hoje, à porta da estação do Metro, um individuo que passeava um enorme cartaz onde se lia COMPRO OURO USADO, seguido de vários contactos telefónicos. Aqui no bairro, num raio de quinhentos metros, abriram duas agências, nos últimos dezoito meses.
Seria tudo normal, afinal de contas, espaços para alugar nesta área é coisa que não falta e a um preço cada vez mais acessível. Para além disso, os tempos de crise sempre foram propícios a novas oportunidades e a altura que agora atravessamos não é excepção.
Normal, não fosse pela seguinte duvida: É certo que os tempos são de aflição para muita gente, de desespero para alguns e acredito que a maioria, se confrontada com a escolha entre guardar objectos de valor, ou colocar pão na mesa aos filhos, não hesite em se desfazer do fio de ouro, da aliança de casamento ou do anel de noivado.
Compreende-se. Como diz o velho ditado, " vão-se os anéis, mas fiquem os dedos". O que não consigo perceber é como o ouro destas famílias desesperadas, consegue manter tantas lojas abertas e incentivar à abertura de mais .
Sejamos sinceros, nos tempos que correm, a maioria das pessoas não colecciona peças de ouro. Mesmo a tradicional cerimónia de casamento, como a conhecíamos, há anos que vem caindo em desuso e por isso, os anéis e alianças são cada vez menos procurados. Claro que existem as famílias mais abastadas, que ainda hoje guardarão pequenos tesouros, mas por norma esse pessoal não sente a crise e só por grande partida do destino, sentirão necessidade de se desfazerem dos seus valores. Não creio, por isso, que seja com essas famílias que estas agências negoceiam...
Visto isto, que mercado é este, que atrai cada vez mais investidores? De onde lhes vem a matéria prima?
Confesso-me curioso, ao ponto de andar há dias a prestar atenção nas entradas e saídas de uma destas lojas, para estudar o perfil de quem procura os seus serviços. A porta fica sempre aberta no horário de expediente, por isso não é difícil analisar o movimento. Sabem quantas pessoas vi a entrar ou sair do espaço em questão? Nenhuma! Para além dos três funcionários que ali trabalham, não vi mais ninguém passar por aquela porta.
De onde virá então tal volume de negócio, que justifique pagar três ordenados, a renda e o resto das contas? Se entra ouro naquele espaço, a que horas entra, quem o vem vender e em que condições?
A este rol de perguntas sem resposta, e uma vez que o assunto são agências de compra de ouro usado, acrescento mais algumas:
Quem fiscaliza o ouro que se vende nestes locais? Quem atesta a sua origem? Como se faz prova de propriedade das peças que são ali vendidas?
E já agora, uma vez que falamos em peças de ouro usado, qual será o destino das peças de ouro que há anos vêm sendo roubadas nas ourivesarias de todo o país, nas nossas igrejas e em casas particulares? Onde é que os "amigos do alheio" se desfazem do material roubado?
Francisco Vieira
Uma boa observação deste recente negócio e uma conclusão que apesar de ser apenas hipotética, é bastante credível e mostra como se pode tornar "honesta" uma forma ilegal de comércio...
ResponderEliminarBom dia Francisco
ResponderEliminarGosto do modo como escreves e dos temas aqui trazidos.
As tuas preocupações e interrogações são as minhas também e certamente de muitas outras pessoas por esse Portugal adentro.
Não me daria a esse trabalho de pesquisa que fizeste. Deixaria esse trabalho para quem de direito se tiver vontade e brio para o fazer.
Termino com uma frase de um comentador no programa da Queria Júlia:
- As lojas de compra e venda de ouro não são assaltadas...
Isto deixou-me bastante intrigado.
Nem mais Francisco. Em Aveiro e na zona da beira Mar há pelo menos 4 lojas dessas... e todas protegem o anomimato... e também já me me perguntei várias vezes as mesmas perguntas...
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