Nos tempos que correm, em que os orçamentos apertam, o mercado de trabalho encolhe e as prespectivas de retoma ainda não se avistam na linha do horizonte, aumenta o desespero, no dia a dia daqueles que são minimamente responsáveis e se preocupam com o futuro. O seu e o dos que estão sob a sua alçada.
Não é para menos. Na verdade, nunca o dinheiro teve tantos buracos por onde se enfiar, como agora. Passa-nos pelas mãos como água a correr por entre os dedos.
Existem vários motivos que justificam o aperto que actualmente vivemos. Grande parte deles está devidamente identificada, tem cara e nome, mas que ninguém se iluda; o governo e os governantes, a banca, os golpes desonestos de marketing e outros truques que há anos vêm sendo usados para nos esvaziar a carteira, terão a sua cota parte de culpa, mas somos nós os principais responsáveis pela situação em que vivemos.
Uns mais do que outros, é certo. Nesta crise generalizada, ainda existem pessoas que estão a viver confortavelmente, sem grandes preocupações.
Não, não me refiro aos vigaristas que nas ultimas décadas fizeram fortunas à conta do orçamento. Esses já todos sabemos que não sentem a crise. São os únicos que, nos tempos que correm, continuam a facturar. Por isso, estão-se literalmente borrifando para os apontadores económicos. Pelo contrário, sabem que quanto mais pobre estiver a sociedade que os rodeia, mais ricos eles serão.
Mas para além desses, existem os "remediados", que não sendo ricos, vivem de forma moderada, conciliando as despesas com o orçamento. Em regra geral, sempre viveram o presente, inspirados no passado, onde as coisas não pareciam (nem eram) tão fáceis como nos querem agora fazer crer, e com olhos postos no futuro, guardando "do riso para o choro", seguindo os ensinamentos que herdaram do berço.
Os que nunca se deixaram influenciar por modernices, nunca se deslumbraram com carros topo de gama, com telemóveis de última geração, com roupa de marca ou com férias no Dubai. Nunca gastaram mil, quando ganhavam quinhentos. Nunca se deixaram escravisar pelo sistema capitalista especulativo que hoje nos incutem à nascença, em que os pais acreditam que o filho recém-nascido não crescerá feliz se não tiver um quarto totalmente mobilado, onde os cortinados condigam com o edredon e a toalha de banho com o tapete. Em que gastam um ano de ordenado para comprar o enxoval, os móveis, o parque, o andador, a cadeirinha para a mesa, o baloiço, o carrinho para ir à rua, a alcofa, a mala para os biberões, a cadeirinha para o automóvel e outros tantos artefactos que as lojas da especialidade lhes impingem, que me fazem por vezes parar e pensar em como eu sobrevivi, na falta de tanto que vemos nos dias de hoje.
Começa tudo no berço, quer queiramos, quer não...
Francisco Vieira
Para o jornal Notícias Ribeirinhas
Não é para menos. Na verdade, nunca o dinheiro teve tantos buracos por onde se enfiar, como agora. Passa-nos pelas mãos como água a correr por entre os dedos.
Existem vários motivos que justificam o aperto que actualmente vivemos. Grande parte deles está devidamente identificada, tem cara e nome, mas que ninguém se iluda; o governo e os governantes, a banca, os golpes desonestos de marketing e outros truques que há anos vêm sendo usados para nos esvaziar a carteira, terão a sua cota parte de culpa, mas somos nós os principais responsáveis pela situação em que vivemos.
Uns mais do que outros, é certo. Nesta crise generalizada, ainda existem pessoas que estão a viver confortavelmente, sem grandes preocupações.
Não, não me refiro aos vigaristas que nas ultimas décadas fizeram fortunas à conta do orçamento. Esses já todos sabemos que não sentem a crise. São os únicos que, nos tempos que correm, continuam a facturar. Por isso, estão-se literalmente borrifando para os apontadores económicos. Pelo contrário, sabem que quanto mais pobre estiver a sociedade que os rodeia, mais ricos eles serão.
Mas para além desses, existem os "remediados", que não sendo ricos, vivem de forma moderada, conciliando as despesas com o orçamento. Em regra geral, sempre viveram o presente, inspirados no passado, onde as coisas não pareciam (nem eram) tão fáceis como nos querem agora fazer crer, e com olhos postos no futuro, guardando "do riso para o choro", seguindo os ensinamentos que herdaram do berço.
Os que nunca se deixaram influenciar por modernices, nunca se deslumbraram com carros topo de gama, com telemóveis de última geração, com roupa de marca ou com férias no Dubai. Nunca gastaram mil, quando ganhavam quinhentos. Nunca se deixaram escravisar pelo sistema capitalista especulativo que hoje nos incutem à nascença, em que os pais acreditam que o filho recém-nascido não crescerá feliz se não tiver um quarto totalmente mobilado, onde os cortinados condigam com o edredon e a toalha de banho com o tapete. Em que gastam um ano de ordenado para comprar o enxoval, os móveis, o parque, o andador, a cadeirinha para a mesa, o baloiço, o carrinho para ir à rua, a alcofa, a mala para os biberões, a cadeirinha para o automóvel e outros tantos artefactos que as lojas da especialidade lhes impingem, que me fazem por vezes parar e pensar em como eu sobrevivi, na falta de tanto que vemos nos dias de hoje.
Começa tudo no berço, quer queiramos, quer não...
Francisco Vieira
Para o jornal Notícias Ribeirinhas
É disto que eu gosto
ResponderEliminarPartilho as tuas palavras
um abraço